Muito bom o filme! Quem não assistiu, recomendo!
Não pretendo fazer nenhuma análise aprofundada do filme, apenas algumas “pinceladas” à luz da psicologia.
A artista principal, Natalie Portman, está excelente no papel de Nina. A bailarina é selecionada para dançar o balé Lago dos Cisnes. Na opinião do diretor artístico que pretende ter a mesma bailarina representando os dois papéis, ela é perfeita para fazer o cisne branco e ainda precisa se aperfeiçoar para exibir mais sensualidade e imponência para dançar o cisne negro.
Sua relação com a mãe que abandonou a carreira de bailarina para criá-la, chega a ser simbiótica. Moram apenas as duas num apartamento. A mãe vive para ela, e através dela tenta exprimir todo o desejo reprimido de dançar. Vive em Nina o que poderia e desejava ter sido. Nina tem em sua mãe uma pessoa que a incentiva, compreende, manipula e ampara nos momentos difíceis. É a menininha.
Apesar de sido a escolhida para o papel pelo exigente diretor, Nina não sabe, mas tem muitas barreiras psicológicas a vencer, para um bom desempenho. Precisa “deixar fluir” o cisne negro que existe dentro de si, e para isso terá que se libertar da dependência e da castração maternas.
Com a chegada de uma nova bailarina, Nina se sente ameaçada pela concorrência. Percebe que Lily tem todas as características que lhe faltam. Ao mesmo tempo que deseja ser como Lily que a ajuda na transição, tem medo desse seu lado negro que está para eclodir e desenvolve uma paranóia de perseguição.
Nina vai buscar em uma bailaria aposentada, que teve carreira de grande sucesso, elementos que a ajudem a ser perfeita. É quando pega alguns pertences dela, na esperança de conseguir incorporar alguma coisa dessa mulher.
É preciso reconhecer todos os fantasmas com os quais tem convivido e encontrar mecanismos de defesa para superá-los e também romper a relação de simbiose com a mãe. É quando joga na lixeira todos os seus bonecos.
Ela então, conseguirá vencer as barreiras que estão bloqueando a eclosão de sua sensualidade e poderá viver plenamente sua sexualidade.
A cada dia que se aproxima a estréia, a pressão psicológica sofrida pelo diretor é maior e Nina fica cada vez mais envolvida em melhorar sua performance e pratica exercícios exaustivos. Não percebe que seu maior inimigo é ela mesma. Se desespera e na loucura que se encontra, diante da tentativa de incorporar o personagem e ao mesmo tempo ter que vencer uma relação doentia com a mãe e mudar sua personalidade, chega a ter delírios e alucinações.
No dia da estréia, num delírio, acha que matou a ameaçadora Lily, quando na realidade foi em si mesma que havia enfiado o pedaço de espelho quebrado, aquele que refletia a menina aprisionada em medos e desejos reprimidos que não existe mais, e dança maravilhosamente como cisne negro.
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