quarta-feira, 16 de março de 2011

ALIMENTAÇÃO INFANTIL

Algumas colocações sobre alimentação infantil.


                                                     foto:http://www.healthyeatingpei.ca/


Gostei muito da reportagem publicada na revista Exame, então aqui vão alguns trechos com comentários.

“Hoje, o cardápio da maior parte das crianças está desajustado. Elas comem pouco daquilo que deveriam: leite e derivados, frutas e verduras, arroz e feijão. E excessivamente daquilo que não deveriam. O refrigerante substituiu o leite, os lanches tomaram o lugar das refeições, doces e balas são ingeridos a toda hora... O resultado é uma nova forma de desnutrição na abundância. “É o que chamamos de fome oculta”, diz a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. “As crianças estão carentes de micronutrientes, como vitaminas e minerais, e não de energia.” A sensação é de barriga cheia, mas o corpo sente a falta de nutrientes importantes.”

Eu diria que as crianças estão carentes de atenção. O dia a dia dos pais com horários reduzidos para estar com os filhos, não os permite perder um tempo maior elaborando a refeição da criança. Lançam mão então dos fast-foods, que são bem práticos, mas...

“Quase toda criança em algum momento da infância terá um período alimentar difícil, alertam os pediatras. A recusa a alimentos pode começar na transição da papinha para o alimento sólido. Em geral, piora aos 2 anos, quando o ritmo de crescimento diminui, e se torna mais crítica quando a criança percebe a importância que os pais dão ao prato de arroz com feijão. Costuma melhorar depois da fase pré-escolar, que vai até os 6 anos. Mas pode se estender até o início da adolescência. A duração e a intensidade dessa fase dependem não só do temperamento e da sensibilidade da criança, mas, sobretudo, da maneira como a família tratar essa rejeição.”

Algumas crianças são mais resistentes às novidades, estranham, então rejeitam. Outra questão, é que a criança nesta fase começa a ter conhecimento, a tomar consciência do que gosta e do que não gosta. Percebe que pode manipular a forma como expressa suas vontades para convencer o adulto. Vai assim experimentando o exercício de sua força.

“Mães que estendem a amamentação além dos 6 meses e iniciam uma transição gradual para os alimentos sólidos costumam ter filhos com paladares mais receptivos, revelam três estudos produzidos pela Universidade da Califórnia. A predileção pelo doce, no entanto, parece ser genética. “Mas é possível moldar o paladar para se satisfazer com pouco doce”, diz Salete Brito, nutricionista do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela recomenda oferecer suco sem açúcar e evitar doces sempre que possível, especialmente até os 2 anos de idade, um momento especial da infância. A criança tende a reproduzir o padrão desse período quando for maior.”

Toda mudança se for sutil e gradual tende ao sucesso. A criança precisa de tempo para se adaptar.

“A busca por hábitos alimentares saudáveis começa com o envolvimento de toda a família. É preciso ter horários e regras para as refeições: as crianças devem saber o que vão comer, quanto podem comer e em que horários. É o que diz o manual Filhos – De 2 a 10 anos de idade, publicado neste mês pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo o pediatra nutrólogo Fabio Ancona Lopez, um dos organizadores do manual, pode-se abrir exceção para um bombom de vez em quando. “A criança precisa saber que aquele bombom foge ao padrão”, diz ele.”

A criança que tem uma rotina estabelecida sente-se mais segura. Ela precisa de regras, mas que tenham uma lógica, uma razão de ser. A criança não quer a companhia do adulto que tudo pode. Ela quer alguém a seu lado que a alerte e ajude a dar conta dos impulsos que ainda não sabe controlar. Que lhe imponha limites.

“Houve um tempo em que a mãe passava o dia em casa cozinhando. À noite, a família se reunia ao redor da mesa de jantar para comer e conversar sobre os acontecimentos do dia. O professor William Doherty, da Universidade de Minnesota, diz que esse velho costume, interrompido pela entrada da mulher no mercado de trabalho e pela correria da vida moderna, não deveria ter sido abandonado. Segundo pesquisas que ele vem acompanhando, o momento da refeição é considerado por pais e filhos como a principal oportunidade de se conectarem como família. Ganha em importância, inclusive, das atividades ao ar livre. Doherty falou a ÉPOCA sobre como tirar melhor proveito das refeições em casa.”

No momento da refeição estão todos reunidos para um mesmo objetivo. Diferentemente das brincadeiras e jogos, mesmo que com a família reunida, quando a fantasia muitas vezes se faz presente. Na reunião à mesa todos se mostram como são, ou como estão naquele momento. É uma oportunidade para dividirem fatos acontecidos ao longo do dia e conversar coisas alegres, fortalecendo cada vez mais o laço familiar.

“Pesquisas recentes mostram que crianças e adolescentes ficam melhor emocionalmente e tiram melhores notas na escola quando fazem refeições com a família com mais frequência, especialmente quando conversam uns com os outros, dão risada, relaxam. Também há evidências de que a qualidade nutricional da refeição tende a ser melhor nesse cenário. Quando as refeições feitas em casa são mais frequentes, as crianças comem mais vegetais e alimentos mais nutritivos.”
“Se houver dificuldade de conciliar horários, comece com uma vez por semana. Pode ser o jantar, o café da manhã, tanto faz.”

O importante é dar os primeiros passos a caminho de uma vida em família fisica e emocionalmente mais saudável.


                                                               foto:http://www.she-fit.com/

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